O que vemos, ouvimos e consumimos diariamente molda nossa alma. escolher com consciência é um ato espiritual que define quem estamos nos tornando.
O que você consome também molda o seu espírito

Às vezes, precisamos nos direcionar para uma vertente sagrada do amor e do bem, dentro da liturgia umbandista.
Vivemos tempos em que as janelas do mundo se abriram para dentro de nossos sagrados terreiros e lares. E, com elas, também entraram tempestades e situações desafiadoras de nossa vida.
Não se trata de condenar personagens ou cenas, mas de compreender o que estamos permitindo que se instale em nossa intimidade espiritual e moral.
O que vemos, ouvimos e sentimos diante de uma tela, seja ela qual for, planta sementes. Algumas florescem em virtude. Outras, em sombras.
É preciso ter cuidado com aquilo que nos entretém, pois, sem perceber, somos moldados por aquilo que aceitamos como normal. E, assim, tudo o que construímos durante décadas pode se perder como areia fina entre os dedos.
Pai Francisco da Guiné, em sua mansidão, jamais impôs. Ele convida. E, se hoje estivesse ao seu lado, diante de um conteúdo que enaltece a violência, a traição, o sarcasmo e o vazio, qual seria a sua postura como médium de Umbanda?
Não é sobre beijo, nem sobre gênero. É sobre valores. Sobre o que enriquece o coração e o que enfraquece o espírito.
A moral umbandista, tão sabiamente construída por nossos bondosos guias de luz, nos alerta: somos influenciáveis, sim.
Pai Francisco da Guiné nos mostrou, em tantos momentos, os reflexos vibracionais de nossos hábitos mais sutis.
Nosso Caboclo Flecheiro das Matas Virgens viveu como exemplo silencioso do que significa selecionar o que se vê, o que se fala e o que se compartilha.
Estamos em um campo de batalha invisível. Não entre pessoas, mas entre escolhas. Cada canal que ligamos é um voto. Cada curtida, um apoio. Cada silêncio, uma permissão.
Se queremos uma sociedade mais justa, mais sensível e mais humana, comecemos pela seleção do que alimenta a nossa alma.
A mídia tem poder, sim. Mas o maior poder ainda é o nosso: o de dizer “não” ao que não edifica e “sim” ao que nos transforma.
Você não está só. Há muitos despertando. E juntos podemos exigir mais luz, mais ética, mais beleza e mais pureza na caminhada de cada dia.
Lembremo-nos: nossas preferências são orações disfarçadas. Elas revelam quem estamos nos tornando.
Há flores que desabrocham ao sol pleno. Outras preferem o silêncio da sombra. Umas se abrem cedo, outras ao fim da tarde. Mas todas são flores, e todas são necessárias no jardim da vida.
Assim também somos nós: almas em jornada contínua, carregando histórias distintas, cicatrizes invisíveis e sonhos guardados no peito.
Cada um nasce sob um céu diferente, aprende em caminhos diferentes, ama de formas diferentes… e, ainda assim, todos somos filhos do mesmo amor que rege o universo.
Quem nos deu o direito de julgar a caminhada do outro, se não vemos os calos em seus pés?
Quem nos autorizou a medir a alma pelo corpo, a fé pela aparência, o valor pela condição social? Isso não vem de Deus.
Vem do orgulho humano, que ainda caminha de forma vacilante na estrada do amor verdadeiro.
A doutrina umbandista nos lembra que reencarnamos muitas vezes, em diferentes papéis e situações. O rico de hoje pode ter sido o pobre de ontem.
Aquele que hoje ensina, um dia precisou aprender. E aquele que hoje sofre, talvez já tenha feito sofrer.
Assim, giramos no tempo, aprendendo a mais difícil das lições: amar o outro como ele é.
O espírito não tem cor, nem gênero, nem fronteiras. Tem luz própria. E cada diferença externa é um convite divino para o despertar da aceitação, do respeito e da compaixão.
O mundo não precisa de mais separações. Precisa de pontes. Não de julgamentos, mas de mãos estendidas.
Fazer a diferença é abraçar o outro naquilo que ele é, sem impor moldes, sem exigir medidas.
Respeitar as diferenças é reconhecer a grandeza de Deus, que criou cada alma como um verso único no poema infinito da criação.
Pensemos nisso. E amemos mais.
Somos aqueles que fazem a diferença, guiados pela consciência de que somos umbandistas e honramos nossas entidades de luz.
Ilê Axé Luz de Odara
Jacareí (SP) e Heliodora (MG)







