Entre o Orún e o Aiyê, algumas almas chegam já carregando o mistério do retorno.
Abikú

Nascido para morrer (a bi ku), “O parimos e ele morreu” (a bi o ku): termo que designa crianças ou jovens que desencarnam antes de seus pais. Há, assim, dois tipos de Ábikú: o primeiro, Ábikú-Omode, designando crianças; e o segundo, Ábikú-Agba, referindo-se a jovens ou adultos que desencarnam, via de regra, em momentos significativos de suas vidas e sempre antes dos pais.
Isso apresenta uma alteração da ordem natural que, socialmente, é aceita e entendida como: aqueles que chegaram ao Aiyê (mundo físico) primeiro, voltam primeiro ao Orún (mundo espiritual). Nesta questão, além da lógica natural, está presente a garantia da continuidade no Aiyê e a certeza da lembrança e do culto aos ancestrais, que deixa descendentes que recontarão sua história ao longo dos tempos, garantindo assim a sua sobrevivência na comunidade.
No Orún vive um grupo de crianças chamadas Emere ou Egbe, e este grupo constitui o Egbé Orún Ábikú, ou seja, a sociedade das crianças que nascem para morrer. Conta a lenda que a primeira vez que os Abikús vieram para a Terra foi em Awaiye, e constituíram um grupo de duzentos e oitenta, trazidos por Alawaiye, chefe deles no Orún.
Na encruzilhada que une o Orún ao Aiyê (Ikorita Meta), todos pararam e vários pactos foram feitos, definindo o momento particular do retorno de cada um ao Orún. Alguns voltariam quando vissem pela primeira vez o rosto da mãe; outros quando casassem; um terceiro grupo voltaria quando completasse determinado tempo de vida; um quarto grupo voltaria quando tivesse o primeiro filho, e assim por diante. Nem os carinhos e o amor dos pais que viessem a receber, nem mesmo os presentes, seriam capazes de retê-los na Terra.
Esse pacto deveria ser cumprido, e os seus companheiros no Orún (Céu) manter-se-iam presentes na sua vida, interagindo no seu dia a dia para que não se esquecessem e retornassem ao Orún tão logo o momento pactuado ocorresse.







